Lisboa, 27 Nov (Lusa) – Os níveis de emprego dos imigrantes em Portugal são superiores aos dos cidadãos nascidos no país, tanto  entre homens como mulheres, revela um estudo de uma organização internacional hoje apresentado em Lisboa.

Em percentagens, os imigrantes masculinos a trabalhar, de acordo com dados dos anos 2005/2006, eram 75,4 por cento, enquanto os  portugueses se ficavam pelos 73,6 por cento, enquanto nas mulheres  os valores eram, respectivamente, de 63,1 e 61,8 por cento, indica o  estudo da Organização para a Cooperação de Desenvolvimentos  Económico (OCDE).

Comparativamente com uma dezena de países ocidentais avaliados pela  mesma organização, e ainda em relação ao emprego dos imigrantes,  Portugal surge em quarto lugar, à frente da Bélgica, Dinamarca,  França, Alemanha, Holanda e Reino Unido, onde a taxa de emprego é  superior entre a população dita nativa, quando comparada com os  estrangeiros fixados naqueles estados.

À frente de Portugal, em relação à população masculina, e a liderar  a tabela, aparece a Itália (onde a percentagem de imigrantes com  emprego atinge os 81,1 por cento enquanto os nascidos no país se  ficam pelos 69,5 por cento), seguida dos Estados Unidos (82,3/73,5)   e da Espanha (80,8/74,9).
No caso das mulheres, Espanha é o país onde a percentagem de emprego  feminino imigrante é maior, quando comparada com as espanholas,  seguindo-se a Itália e depois Portugal, que neste caso ocupa o  terceiro lugar.

De acordo com os autores do estudo, a realidade portuguesa quanto à  integração laboral dos imigrantes é justificada pelo “forte pendor  laboral da migração em Portugal”, onde o número de imigrantes  aumentou mais de 50 por cento na última década, mas fica-se apenas  pelos cinco por cento da população total, somando um pouco menos de  500 mil pessoas.

Mas se os imigrantes têm uma taxa de emprego superior aos  portugueses, já quanto aos rendimentos a situação inverte-se: ganham  em média menos 20 por cento que os portugueses que, segundo a OCDE,  “já de si possuem salários baixos”.

Outro item onde Portugal surge na cauda da tabela é na formação  básica da língua disponibilizada aos estrangeiros que chegam ao país  para trabalhar, onde os cursos se ficam pelas 50 horas, enquanto nos  restantes países da OCDE (ditos ocidentais, mais Japão, Austrália e  Nova Zelândia) varia entre as 150 e as 900 horas.
Outro indicador desfavorável é a baixa adequação da formação dos  trabalhadores imigrantes aos empregos que conseguem, factor que  ganhou peso com o aumento dos trabalhadores migrantes chegados do  Leste europeu, que aumentaram 100 vezes em apenas cinco anos,
passando de 1.000 em 1998 para 100 mil em 2003.

Neste caso, 80 por cento tem formação superior mas apenas conseguiu  ocupações que requerem baixa qualificação, com destaque para a  construção civil.

Para contrariar esta realidade, os especialistas da OCDE aconselham  que seja facilitado o processo de reconhecimento das habilitações  académicas, contribuindo para que os imigrantes consigam trabalhos  mais adequados á sua formação escolar.

Na apresentação do estudo, realizada em Lisboa, o alto comissário  para Imigração e Diálogo Intercultural, Rui Marques, salientou que  “Portugal quer ser exemplar no acolhimento aos imigrantes” e  destacou o ensino do português como uma das prioridades principais  destinadas aos estrangeiros que vêm trabalhar para o país.
AMN.